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Flores, Vestidos & Destinos
Livros

Páginas que nos transportam para o Sul da França

Cinco obras essenciais que capturam a essência da luz e da melancolia mediterrânea em prosa vagarosa.

Há livros que não se leem — habitam-se. E existe um tipo muito particular de literatura que consegue capturar a luz oblíqua da Provença, o cheiro de alfazema quente ao meio-dia, o zumbido de abelhas por entre oliveiras antigas. É desse tipo de página que quero falar hoje.

Comecei minha coleção afetiva com Peter Mayle, claro — é impossível não começar por ele. Mas foi em Colette, muitos anos depois, que encontrei a versão feminina, mais sensorial e menos turística, dessa mesma paisagem. Ela escreve o Sul como quem escreve um antigo amante: com a intimidade dos que já perdoaram tudo.

Se você quer começar por um único livro, comece por Bonjour Tristesse, de Françoise Sagan. Escrito aos dezoito anos, ele contém todo o verão que precisamos: o mar, o tédio elegante, a primeira dor. E depois, quando estiver pronta, vá para as cartas de Marguerite Duras — mais duras, mais salgadas, mais verdadeiras.

A literatura mediterrânea nos ensina uma coisa rara: que a lentidão não é preguiça. É um modo de estar no mundo. E talvez, no fim das contas, seja isso que buscamos ao virar cada página — não a fuga, mas o retorno.

A

Amanda Souza Fin

Escreve sobre livros desde 2019.

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